Ao longo dos séculos, técnicas foram desenvolvidas para melhorar a qualidade e durabilidade das construções. Os sistemas construtivos foram estudados, formalizados no que diz respeito a elaboração de métodos técnicos pautados em conceitos científicos (vindos da física, química, matemática, biologia, etc.) e enfim, foram adaptados às demandas contemporâneas à cada momento histórico.

A forma que construímos hoje tem um conceito fundamental parecido com o de 20 ou 30 anos atrás, até mesmo com o de séculos atrás. Contudo, a tecnologia empregada em função de cada nova descoberta ou melhoramento dos materiais e técnicas, modifica sensivelmente esta forma de construir uma vez que passamos a ter um entendimento mais aprofundado do processo dado seu objetivo.

O revestimento tem como função base compor e proteger o elemento estrutural ou o elemento de vedação e elevar seu desempenho. Ou seja, tem como função compor e proteger algum elemento construtivo, elevando seu desempenho. Sua função complementar se pauta em salubridade, praticidade, acabamento, estética ou qualquer outra que possa agregar valor à principal. Dado este entendimento, este objetivo, passa a ser necessário o relacionar com sua aplicação: proteger do quê? Qual o tipo de exposição a construção tem? Em termos de desempenho, é necessário relacionar a uma demanda: qual sua finalidade?

No caso residencial, a construção desenvolvida até o ponto apresentado no estudo de caso desta série de etapas da obra, já cumpre fundamentalmente a função de abrigo. Por outro lado, não é um abrigo eficiente para habitação nem mesmo resistente o suficiente ao tempo, considerando seu sistema construtivo e até onde foi desenvolvido: as paredes e pisos são porosos, com partículas que se soltam facilmente, sem uniformidade, absorvem muita água do solo e do ar (em tempo úmido, chuvoso ficarão úmidas demais), é uma construção vulnerável aos intempéries e proliferação de microrganismos do ambiente em longo prazo… Em resumo, tem um desempenho insatisfatório dado seu uso e o padrão de exigência.

Um outro exemplo simplificado, é uma construção de madeira. Ela por si, já é bem eficiente quando finalizada sem qualquer revestimento extra, contudo, a umidade, pragas e microrganismos deterioram o material mais facilmente se o mesmo não estiver protegido. Algo que pode ser retardado com a proteção vinda de impermeabilizantes (verniz e tinta, por exemplo), anti pragas ou anti microrganismos.

Existem várias opções para revestir um material e o proteger, basicamente consistem em colocar outro tipo de material sobre ele, mais resistente aos intempéries, à umidade, pragas, microrganismos ou qualquer outra necessidade vinda de alguma deficiência que justifique a proteção, seja através de uma tinta, um verniz, uma placa de outro material ou qualquer outro exemplo.

No caso da alvenaria e do concreto armado, utilizados na obra de referência, o mais usual aqui no Brasil é revestir os tijolos, vigas e pilares com argamassa de cimento e areia (uniformizando a superfície e melhorando sua permeabilidade) para então impermeabilizar de fato esta superfície, utilizando o material mais propício para cada situação, como uma tinta ou uma cerâmica específica, por exemplo.

O revestimento de argamassa é conhecido como reboco. Este revestimento é uma camada de aproximadamente 1,5cm que altera as propriedades acústicas, de permeabilidade e térmicas da parede além de a uniformizar, influenciando em seu desempenho (as condições técnicas de exigência e execução são definidas pela NBR 13749).

Como o foco deste texto está nas etapas, apenas este assunto será apresentado. Elas podem ser divididas em até 3: chapisco, emboço (alguns locais tratam apenas como reboco) e massa fina. Esta divisão pode variar de região para região com alguma nomenclatura ou peculiaridade executiva, como a terceira (massa fina), não existir ou fazer parte do acabamento do emboço. Tecnicamente, deve ser observado um plano de revestimento, bem como especificações estabelecidas pelas normas técnicas NBR 13749, 13529 e 7200.

As etapas são denominadas da seguinte forma:

Chapisco: é uma fina camada de apenas alguns milímetros, aplicada de forma grosseira sobre a alvenaria, composta de argamassa de cimento e areia, com traço popularmente dito “forte” (1:3, por exemplo) e plástico, com o fim de gerar uma superfície rugosa que aumenta a aderência da parede para recebimento da argamassa do reboco. Deve ser aplicada e secar (curar) antes do início da próxima etapa.

Na obra de estudo, após a elevação da alvenaria das paredes e demais procedimentos descritos até então, as paredes foram rebocadas, conforme imagem abaixo. Repare que a camada é tão fina que não cobre perfeitamente as juntas entre os tijolos.

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Chapisco sobre parede de alvenaria de tijolos de barro cozido.

Obs: Com o desenvolvimento de argamassas de alta aderência e dependendo do material da parede, esta etapa pode ser pulada por deixar de ser efetivamente necessária.

Emboço: é o revestimento principal, feito de argamassa de cimento e areia, que pode ou não conter aditivos, tratando-se de uma camada de aproximadamente 1cm que protege a alvenaria e eleva o desempenho do conjunto. É um revestimento nivelado, alinhado e uniforme. Para alcançar este resultado, são utilizados linha, prumo e nível para aplicação de referências (chamadas taliscas), inseridas usualmente de 1,5m em 1,5m com a função de apontar a espessura final da camada a ser aplicada para se obter o alinhamento e nivelamento desejado.

As taliscas são peças inseridas sobre a parede que servem como referências de espessura a ser alcançada pela argamassa. Depois da aplicação da argamassa, com o auxílio de uma régua de alumínio ou sarrafo de madeira (não usual mais hoje em dia), a parede tem sua superfície alinhada (a aplicação inicial da argamassa não é uniforme e resulta em pequenos montes da mesma, o processo de alinhar com a régua é conhecido como sarrafear) e posteriormente uniformizada a partir da utilização de desempenadeira. As taliscas são retiradas e o espaço que preenchiam é corrigido com a aplicação de argamassa.

Durante a execução do reboco, para melhorar a trabalhabilidade, plasticidade, aderência e outras características da argamassa, podem ser aplicados complementos e aditivos que alteram sua plasticidade, aderência e uniformidade, como agrofilito, cal ou algum outro aditivo específico.

O resultado do reboco é uma parede uniforme, que apresenta textura característica dos materiais empregados, sendo levemente arenosa ao toque.

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Parede apresentada anteriormente chapiscada, agora rebocada.

Massa fina é uma fina camada de argamassa, geralmente de cimento, cal e areia, com traços com bem mais areia que cimento, como 1:1:6, por exemplo. Tem a função de melhorar a uniformidade do reboco, seu acabamento. É executada com desempenadeira e esponja (molhada) utilizada em obra. Combinação que possibilita que o acabamento fique mais homogêneo e uniforme.

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Parede chapiscada à esquerda e rebocada à direita (emboço e massa fina)

Em alguns casos, a técnica aplicada na massa fina é utilizada diretamente na fase do reboco, molhando a superfície e a esfregando com esponja. Contudo, a etapa de massa fina, isoladamente, gera um resultado com um aspecto um pouco mais “liso”, devido a diferença de traço.

A homogeneidade da superfície influencia no gasto do outros materiais que serão utilizados posteriormente, como a massa corrida durante o processo da pintura. Por outro lado, também leva um tempo considerável a mais para ser alcançada. Algo que deve ser ponderado no processo de planejamento do revestimento.

Durante esta etapa, o telhado e sua estrutura foram iniciados, assunto a ser tratado no próximo texto.


Referências:

NBR 7200:1998. Execução de revestimento de paredes e tetos de argamassas inorgânicas – Procedimento
NBR 13529:2013. Revestimento de paredes e tetos de argamassas inorgânicas – Terminologia
NBR 13749:2013. Revestimento de paredes e tetos de argamassas inorgânicas – Especificação


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