Garagem contemporânea – Tendência

Uma garagem pode ser mais que uma garagem.

Garagens ocupam áreas muito significativas em uma casa. Duas vagam ocupam facilmente 30 metros quadrados ou mais. São espaços grandes e praticamente somente destinados ao abrigo dos veículos.

Uma das virtudes da arquitetura é otimizar espaço nas edificações, identificando potencialidades e adicionando funcionalidade à espaços ociosos, subutilizados.

Tendências costumam surgir para solucionar problemas e refletindo um pensamento que caminha (tende) a se tornar dominante.

Atualmente a função de lazer ou de área social, tem começado a ser agregada ao espaço da garagem, aproveitando sua grande área disponível e geralmente posição privilegiada na edificação. Nas grandes mostras de arquitetura e decoração do país, a garagem já é um espaço apresentado de forma criativa, inovadora e mais funcional.

Essa nova função do espaço pode aparecer através da criação de uma nova área de social, complementar à já existente da casa, como um lounge ou algo do tipo, ou simplesmente utilizando o espaço disponível para ser o espaço de lazer da casa, evitando a construção de um espaço novo só para isso, demandando mais área e investimento para tal.

Essas duas principais possibilidades devem acabar representando uma vertente para o alto padrão (como espaço social extra para a casa) e outra para o padrão geral de mercado (utilização da garagem para criação do espaço de lazer/social da casa).

Neste post, apresento um exemplo de um espaço de garagem que foi aproveitado para a criação de um espaço de lazer complementar ao já existente da casa, um espaço reservado para receber amigos e com temática específica, no conceito man cave.

Neste exemplo, a demanda inclui um ambiente para jogos utilizando tv, bancadas para socializar, telão para assistir jogos, bancada com pia e cooktop de indução, espaço para frigobar, local para guardar bicicletas e objetos destinados à pratica do ciclismo, decoração com temática voltada ao ciclismo e motociclismo sob ótica contemporânea e clean.

Uma das premissas da arquitetura desse projeto era ter um layout flexível, que pudesse ser alterado para caber mais carros em caso de visitas. Por isso, as bancadas propostas não são fixas e podem ser deslocadas sempre que necessário.

A flexibilidade também é uma característica muito válida para o planejamento contemporâneo da arquitetura, permitindo que a edificação acompanhe a história e possíveis mudanças de seus proprietários/usuários.

Com todas as possibilidades de agregar valor a um espaço tradicionalmente subutilizado da casa, é fácil perceber que uma garagem pode ser mais que uma garagem.

Seja com uma bancada com pia e churrasqueira ou uma estrutura super elaborada para o ambiente, uma garagem pode ser bem mais funcional do que apenas um espaço para guardar carros.

A arquitetura adequa espaços ao uso humano de forma personalizada e contextualizada com cada realidade e escala de projeto. Uma das virtudes dessa ciência é investigar, estudar e propor otimização dos espaços em função de potencialidades ou patologias identificadas.

Projeto: Gabriel Marinho e Letícia Almeida.

Espero que este post tenha agregado valor!

Se inscreva no site para receber atualizações de conteúdo.

Processando…
Successo! Você está na lista

Bancada com cuba esculpida, uma boa escolha

A primeira imagem abaixo é de uma bancada de lavatório de banheiro com cuba esculpida feita de prime branco, um material de cerca de R$ 500,00 o metro quadrado (2020-21). Obviamente, existem outros materiais e modelos de bancada ou cuba que vão influenciar consideravelmente no valor da peça. Existem, por exemplo, granitos de menos de R$ 300,00/m² e quartzo, pedras ou materiais sintéticos acima de R$ 1000,00/m².

O custo final da peça da imagem, que tem 98x46cm foi de pouco menos de R$ 1.100,00. Considerando o padrão de acabamento e qualidade que esse produto se insere, é um ótimo investimento. É um produto que inclui a bancada, já com rodopia, e a cuba com sua válvula. Então é um valor final de produto.

Cubas de padrão proporcional da marca Deca (referência e líder de mercado) como a L870 ou a L1057 (imagens 2 e 3), custam cerca de 1900 e 1600 reais, respectivamente (2020-21). Além desse valor, elas ainda precisam de uma bancada para serem instaladas. Independente disso são produtos muito recomendados e tem ampla aplicação no mercado, permitindo ótimas combinações e resultados.

Imagem 2, Cuba de sobrepor L870
Divulgação – Deca

Imagem 3, Cuba de apoio L1057
Divulgação – Deca

A grande questão é que as bancadas com pia/cuba esculpida permitem elevar o padrão de projeto, resultado e acabamento de um banheiro com um ótimo custo benefício em relação ao investimento, arquitetura, sofisticação do projeto, acabamento e durabilidade. Representando assim uma ótima alternativa para escolha. Elas apresentam beleza, design diferenciado, sofisticação e boa funcionalidade além do já citado custo benefício.

Vale ressaltar que existem materiais mais baratos que o prime e que podem representar 1/2 do investimento de uma bancada como a da foto. Também é importante ressaltar que a bancada da foto foi comparada com produtos de padrão proporcional, não com lavatórios de coluna que custam menos de R$ 200,00 e tem proposta de projeto diferente.

A manutenção de uma bancada deste tipo vai depender dos cuidados exigidos de acordo com o material escolhido e manutenção da válvula. Seja primer, granito, porcelanato, ardósia, quartzo, mármore ou silestone, valem os cuidados exigidos pelo fabricante do material.

Gostou dessa informação? Já sabia que é um bom investimento? Você pensaria numa alternativa como essa se estivesse reformando ou construindo? Com um orçamento bom porém limitado, saberia o que priorizar e onde economizar para valorizar seu ambiente? E se tivesse um orçamento baixo?

Com os mesmos 8, 10 ou 15 mil reais, você pode reformar ou construir um banheiro com resultado bom ou ruim. Independente do seu padrão financeiro, considere investir num projeto arquitetônico ou pelo menos numa assessoria arquitetônica e faça as melhores escolhas dentro do seu alcance.

Obs: A diferença de investimento entre os produtos exemplificados supera 32-43% de economia, sendo que a diferença bruta pode ser suficiente para investir no projeto arquitetônico de um banheiro como o da foto, que tem 4m2, numa assessoria arquitetônica, ou para comprar passagens pra Argentina. É válido ressaltar que neste texto foi apontado apenas um item do banheiro.

Se inscreva no site e receba informações como a acima.

Processando…
Successo! Você está na lista

Primeira obra #2 – Definição e idealização da demanda

Não se engane nem subestime a definição da demanda, esta é uma das etapas mais importantes de uma obra, talvez a mais importante. É o ponto de partida e o direcionamento de todo trabalho.

O primeiro passo de qualquer obra e não seria exagero dizer de qualquer projeto em qualquer área, é definir um objetivo a ser alcançado e as condições para tal.

Quanto mais claro e específico for seu objetivo, mais fácil será definir os passos para o alcançar (entendendo as condições que limitam e definem este processo).

Na pratica, você precisa entender o que quer, para que quer, para quem quer e o contexto que delimita isso tudo, as condições.

Projetos de arquitetura buscam o melhor resultado dentro de um contexto direcionado a um perfil de cliente (que pode incluir vários perfis). Então não se trata da melhor casa ou da melhor empresa, se trata da melhor casa ou melhor empresa para você, dentro da sua realidade (cidade, condição financeira, momento de vida, expectativas futuras, década, etc.).

É muito importante definir um orçamento como parte do contexto. (Entenda contexto como variáveis que limitam ou caracterizam as condições e possibilidades de solução da demanda).

A idealização da demanda também é importante porque traça um caminho do objetivo ideal a ser alcançado e a partir dele se traça uma demanda relativizada e personalizada para seu contexto atual e visando o contexto futuro. (Um exemplo seria imaginar qual seria o resultado ideal sem limite de orçamento e depois com limite de orçamento).

Abaixo seguem as etapas importantes da definição da demanda (podem haver mais) de forma sequencial. Um passo a passo com exemplos:

  • Definir objetivo. O que. Ex: 1 – uma casa; 2 – uma loja; 3 – uma cozinha; 4 – um quarto extra.
  • Definir finalidade. Para que. Ex: 1 – para morar, para vender, para alugar, para finais de semana; 2 – para varejo do segmento x, para serviços do segmento y, para mostruário de produto x do setor y; 3 – para dia a dia, para integrar área social da casa, para trabalhar em casa com alimentos, para trabalho em redes sociais, para eventos; 4 – para família, para hóspedes, para trabalho, para valorizar casa e vender.
  • Definir público. Para quem. Ex: 1 – família de 3 pessoas, idades x, y e z , renda familiar n, tais hábitos; 2 – Mulheres plus size, homens com mais de 40 que usam terno para trabalhar, jovens de um curso de graduação específico, profissionais que trabalham com computação gráfica; 3 – casal recém casado que pretende ter filhos e receber amigos, viúvo com idade x que prepara todas suas refeições e tem um filho que recebe amigos, pessoa que trabalha com videos de receitas para adultos que querem uma renda extra (neste caso o público envolve a pessoa porém é principalmente o público dela); 4 – família que recebe pais idosos no feriados, família que precisa de um cômodo genérico para estudos e possíveis hóspedes, filho adulto que voltou para morar com os pais, mãe X que mora com a filha Y, investidora com informação que no mercado dela casas com 3 quartos vendem mais rápido e com melhor retorno que casas com 2 quartos num prazo X.
  • Definir contexto. São as condições e variáveis cabíveis. Ex.: orçamento, local, expectativas, mudanças de realidade esperadas, leis, índices de mercado, condição de construção ou aplicação do orçamento, etc.)

Para fins comerciais, é nessa etapa que estudos de mercado, nichos, público alvo, inovação e afins são aplicados à demanda. A riqueza de detalhes das informações trará riqueza de soluções e objetividade.

Nesta etapa o acompanhamento profissional é fundamental para um bom resultado. Profissionais de planejamento são treinados para entender objetivos e traduzir os objetivos em demanda. Então um profissional ajudará a sintetizar e transformar ideias em metas. Geralmente isso é feito com uma entrevista e ou uma pesquisa que busca responder as questões pertinentes que vão definir o que, para que e para quem dentro do contexto específico.

Na maioria dos casos, o profissional mais indicado e seu melhor ponto de partida, será o Arquiteto. Arquitetura é a ciência que tem o melhor currículo para todas as etapas do projeto arquitetônico, incluindo assessoria de definição da demanda. (Vou explicar melhor num outro). Em casos de reformas, projetos de interiores ou decoração, um designer de interiores também é uma boa opção. Engenheiros civis também são uma opção, porém o currículo da engenharia não favorece esta parte do projeto, o que não os torna menos importantes no processo. Engenharia é uma ciência fundamental para a construção, só não tem esse foco em seu currículo.

O profissional vai te ajudar a responder suas perguntas e te direcionar a outros profissionais importantes no processo dependendo do porte da sua obra/demanda. São exemplos de profissionais complementares que podem ser necessários: engenheiros, geógrafos, biólogos, cientistas sociais, economistas, estatísticos, advogados e mais uma extensa lista dependendo do tipo de obra.

Em casos comerciais e de empreendimentos, quanto mais profissionais estiverem envolvidos para providenciar respostas aprofundadas às perguntas que envolvem mercado, mais eficiente será o resultado da definição exata da demanda a ser solucionada. Consequentemente melhor será a probabilidade de bom desempenho da empresa no mercado. Grandes marcas trabalham assim, com muitos estudos complementares.

No próximo texto será abordada a etapa de projeto. O projeto antecipa e organiza como a demanda será alcançada. Por isso esta demanda já deve estar traçada para elaboração do projeto, o que faz desta etapa discutida algo tão importante. Não se define COMO alcançar sem definir O QUE alcançar.

Processando…
Successo! Você está na lista

Complemento de leitura

Para entender ou definir sua própria demanda ou a de outra pessoa, entenda que as pessoas não buscam coisas ou objetos, buscam soluções traduzidas naquela coisa. Seja uma casa, um computador ou um veículo, por exemplo, as pessoas estão buscando soluções como moradia, eficiência no trabalho ou eficiência no transporte. Então pense nisso na hora de responder suas perguntas sobre demanda.

Todo conceito que serve para construção, serve também para reforma. Uma reforma pode envolver só acabamento, mas pode partir de alterações desde a fundação. Ex: projeto de alteração revestimento de banheiro tem etapa de projeto e pula para a de revestimento. Já a reforma envolvendo ampliação de um imóvel, como um quarto extra, vai partir desde a fundação após o projeto.

Qualquer profissional da área de gestão vai te direcionar para a definição clara de um objetivo. Sem ele, é muito fácil se perder nas opções e caminhos possíveis.

Grandes empresas investem milhares ou até milhões só para definir com clareza o que precisam fazer, para quem, dentre várias outras especificidades. É a definição da persona, do público alvo, do entendimento das variáveis de mercado, do pensamento a longo prazo e por aí vai. Para isso utilizam equipes multidisciplinares para identificar e cobrir inúmeras variáveis. Isso gera informação inclusive para os estudos de viabilidade.

No seu caso não é diferente. O estudo desta etapa te ajuda a entender o que realmente quer e o que precisa fazer para alcançar o que quer. Seja construindo ou reformando. Quanto mais ajuda profissional tiver, melhor será o resultado e mais adequado a sua realidade.

Parece fácil, mas a maioria das pessoas não tem noção do que realmente querem ou precisam. Muitos querem uma cozinha melhor e mais atual, por exemplo, mas não sabem o que isso significa. Querem uma casa com 3 quartos para a família, mas não entendem que qualquer casa não serve, as pessoas tem um estilo de vida que envolve muitas variáveis diferentes, indo desde personalidades diferentes (ou predominantes) e idade dos membros até orçamento. Uma casa de 3 quartos pode ter 75 ou mais de 350 metros quadrados. Pode ter ou não área de lazer, mais de um pavimento, dentre várias outras coisas que podem atender ou não uma família. No caso residencial, o que define a demanda é a definição da própria família.

Todas essas informações serão traduzidas em metas e depois serão estudadas na fase de projeto. Todas essas especificidades discutidas e apresentadas que irão dizer se será necessário um quarto de 20 ou 12 metros quadrados como solucionar a demanda, se o orçamento consegue abranger ou não todos os itens da demanda e isso levará às escolhas e renúncias da etapa de projeto.

Você não precisa apenas da estrutura da casa, mas sim do que a estrutura da casa te proporciona se disposta da maneira mais eficiente e capaz de absorver sua demanda. E é isso que um bom projeto arquitetônico é capaz de resolver.

Primeira obra #1 – Resumo das etapas da obra

Esta série explica em resumo o passo a passo de uma construção, do zero. O objetivo é mostrar sequencialmente as etapas de uma construção antes, durante e depois da obra com o fim de ilustrar uma visão geral do processo, além de introduzir à legalidade e apontar os profissionais importantes para sucesso da obra. Apenas a descrição geral da sequencia e do que está incluso em cada etapa será apresentada.

Esta série faz referência às séries etapas da obra e educação construtiva, que são conteúdos mais detalhados sobre cada assunto. Portando, em cada resumo serão indicados artigos que podem aprofundar o conhecimento sobre o que está sendo falado ou descrito.

Abaixo segue o resumo geral das etapas, que serve como um índice do conteúdo que será abordado e apresentado.

Resumo Geral das etapas

  • Definição e idealização da demanda.
  • Projeto e legalização
  • Adequação do terreno e canteiro de obras
  • Gabarito e Fundação
  • Estrutura, alvenaria e instalações complementares
  • Vedação e cobertura
  • Acabamento
  • Pós obra físico e legal

Observação: As instalações hidrossanitárias e elétricas se distribuem ao longo de várias etapas, acompanhando fases de instalação desde a adequação do terreno e canteiro de obras até o pós obra. Ela também varia um pouco de acordo com cada sistema construtivo.

É pressuposto que já está definido o que vai ser construído ou reformado antes de iniciar o projeto, pelo menos em termos de demanda. Se trata “do que” e “porque”. O projeto irá trabalhar “como” e “porque” e pode alterar “o que” também. Esta é a definição da demanda. A dimensão desta etapa varia muito de acordo com o porte e objetivo da obra, de todas as variáveis envolvidas. Este será o assunto do próximo texto.

Se estiver aproveitando o conteúdo do site, a medida que for consultando e ficando mais a vontade por aqui, considere se inscrever para receber as atualizações de postagens. É só colocar seu e-mail na aba abaixo. Nas minhas redes sociais ofereço insights, dicas, exemplos de obras, discuto carreira na construção e afins . Me envie tenha alguma dúvida.

Processando…
Successo! Você está na lista

Ciência Por Trás Dos Ambientes #1: Home Office

A arquitetura sistematiza e racionaliza estudos sobre panejamento e adequação dos espaços, nossas construções, cidades e seus ambientes há milênios.

Desde o tratado De architectura de Vitrúvio, escrito antes de Cristo até a Arte de projetar em arquitetura de Neufert (um manual técnico de 567 páginas – 18a ed.) e todas as recentes publicações técnicas sobre o assunto, muito foi estudado, conhecido, racionalizado e formalizado acerca da adequação dos espaços para a atividade humana.

Ao longo dos séculos várias ciências derivaram da Arquitetura e utilizaram outras ciências para estudar, racionalizar e explicar desde as técnicas construtivas até a salubridade, ergonomia ou cromoterapia (dentre muitas outras coisas) envolvidas em nossas edificações e seus ambientes.

Atualmente, com o isolamento social derivado do Covid-19, muitas das atividades que desempenhávamos fora de casa foram transferidas temporariamente ou não, para o ambiente residencial, muitas vezes não adequado ou adaptado para essas atividades.

Home office é um dos assuntos que está em alta desde março de 2020 segundo o Google trends. Esse assunto, bem como sua busca, mostra a necessidade de nos adequar à realidade da melhor forma possível, seja ela qual for.

Outro ponto importante é o crescimento no interesse pela ciência, que pode desencadear resultados muito positivos em função de uma nova mentalidade.

Observação: Mais adiante há um check list de 8 pontos de desempenho de um home office se estiver interessado(a) apenas em uma lista fácil de referência para seguir.

Antes de continuar, lembre de curtir a publicação e se cadastrar para receber atualizações de conteúdo.

Bom, Home office é um ambiente de trabalho e estudo. Nele são realizadas tarefas de foco, concentração e esforço mental. Para tal é necessário pleno equilíbrio das funções físicas básicas para que elas não interfiram negativamente na atividade cerebral: respiração, visão, audição, temperatura corporal, postura.. quaisquer que sejam as funções relacionadas a seu corpo, devem estar em condições ideais de funcionamento. Frio ou calor, postura inadequada, iluminação insuficiente ou excessiva, ruídos externos, partículas sólidas (poeira, por exemplo) ou micro-organismos (ácaros e fungos/mofo), umidade, ventilação inadequada (excessiva ou escassa), dentre outro fatores, podem afetar completamente sua atividade cerebral. Por isso devem ser controladas.

Photo by Karl Solano on Pexels.com

Outra questão importante são os equipamentos, mobiliário e aparelhos relacionados ao ambiente. Eles afetam tanto suas funções básicas, interferindo em conforto e comodidade, como suas funções cerebrais, alterando sua percepção do tipo de tarefa que deve realizar. Afetam diretamente seu desempenho e efetividade.

O tipo de cadeira, a altura da mesa, a coerência da linguagem utilizada no design do ambiente (formal, neutra ou de incentivo a criatividade, por exemplo), as ferramentas que dispõe (computador, câmera, sistema de áudio, papel, livros, etc.) bem como sua qualidade, ou qualquer outra coisa que interfira em sua comodidade e conforto, afetará a funcionalidade do seu ambiente e consequentemente seu desempenho nele.

Quaisquer incoerências ou interferências serão indesejadas e terão consequências negativas. Equipamento ruim, cadeira inadequada, barulhos externos, brinquedos dos seus filhos, divisão do uso do ambiente com outra atividade (sem ter sido planejada uma integração coerente), empecilhos para receber pessoas (caso seja destinado a tal), tudo isso irá afetar seu ambiente e como se relaciona com ele.

Então, em resumo, um Home Office envolve desde salubridade básica até ergonomia avançada ou mesmo a tecnologia das ferramentas de trabalho, bem toda a ciência relacionada. Está tudo ligado à funcionalidade geral do ambiente, que está ligada ao conforto e comodidade, que por sua vez estão subordinados ao corpo humano (físico e mentalmente). Portanto é fundamental o controle das variáveis que afetam o desempenho de qualquer atividade dentro do ambiente.

Na prática, inicialmente é importante determinar o tipo de uso específico o qual será destinado o home office, ou o escritório. É necessário identificar qual é a demanda para determinar a melhor forma de alcançar esta demanda dentro das suas condicionantes (orçamento ou espaço disponível, por exemplo) e varáveis já mencionadas ao longo do texto.

Será de uso apenas pessoal, será de uso profissional, será utilizado para atendimento de pessoas (consultas, reuniões, etc.)? Qual o ramo de atividade demandada? Quais equipamentos precisa para trabalhar? Haverão reuniões online com a empresa ou clientes?

Ao definir o uso final e as principais atividades que serão desempenhadas no ambiente, são traçadas as estratégias de controle das variáveis de conforto, comodidade e funcionalidade.

Abaixo segue um check list das principais variáveis que serão condicionantes no resultado de um bom home office e portanto irão influenciar no bom desempenho do ambiente:

  • Salubridade adequada
  • Iluminação adequada;
  • Ventilação e temperaturas adequadas;
  • Mobiliário adequado e ergonômico;
  • Espaço objetivo, de uso exclusivo, se possível;
  • linguagem adequada do design;
  • Facilidade de identificação do ambiente e seus espaços funcionais bem como fácil acesso a esses espaços (local de produção, de armazenamento, de ferramentas, etc.);
  • Controle de interferências, ruídos e distrações externas.

Confira esta pasta que fiz no Pinterest com 31 referências de home office para diversos usos, do tradicional à música.

É fundamental entender que os fatores acima tem o objetivo de gerar comodidade, conforto, funcionalidade e consequentemente mais desempenho e todos os seus benefícios.

Também é importante conferir se há legislação aplicável (alvará de funcionamento ou se deve atender a lei de acessibilidade para atendimento externo, por exemplo).

Leitura bônus com algumas dicas importantes sobre o mobiliário (podem ajudar em compras online, inclusive):

  • Mesas de trabalho tem entre 75 e 80 cm de altura;
  • Meça o espaço e os móveis que pretende colocar no ambiente;
  • São necessários pelo menos 70cm entre uma mesa e a parede para colocar uma cadeira;
  • Se for receber alguém, prefira ficar de frente para esta pessoa;
  • Verifique se a altura das cadeiras é adequada para a mesa que for utilizar. A altura do assento delas varia de 45 a 50cm, porém existem algumas de 55cm;
  • Saiba que existem cadeiras mais adequadas para longa ou curta permanência nelas, sendo que as de longa permanência tem mais controles, ajustes e flexibilidades que ajudam no conforto;
  • A melhor temperatura de cor para atividades de precisão e concentração é a branca (lampadas de 5000k), porém a temperatura de cor mais confortável para permanência prolongada é a levemente amarelada (lampadas de 3000 a 4000k), assim como a luz do sol;
  • É uma boa opção ter uma fonte de luz confortável e fixa para o ambiente e outra móvel para leitura e afins (como uma luminária de mesa)
  • Além de conferir o tamanho dos móveis, confira o espaço de circulação em volta deles;
  • Ajuda profissional é um investimento que se paga e gera lucro, se não puder pagar por um projeto, invista pelo menos em uma consultoria por hora.

Gostou das informações? Considere se cadastrar para receber atualizações de conteúdo do site. Basta digitar seu e-mail abaixo.

Processando…
Successo! Você está na lista

Educação Construtiva #2. Leis: Zoneamento, Usos e Índices Construtivos

Neste segundo texto da série educação construtiva, será apresentada uma visão geral sobre as leis de ocupação do solo de uma cidade. Noções de zoneamento, uso e índices construtivos de terrenos já parcelados, explicando o que isso significa e porque é importante saber isso antes de construir.

Antes de continuar, curta a publicação e clique em cadastrar no final dela para incentivar a continuidade da produção de conteúdo. Se tiver alguma dúvida ou quiser sugerir algum tema, entre em contato.

Como foi apresentado no texto anterior, as leis determinam regras de “o que”, “como” e “quando” algo pode ser construído numa cidade. Dentre vários outros parâmetros e informações técnicas, existem 3 que são a base “do que” e “como” algo pode ser construído num terreno. São eles que explicam as primeiras e principais regras que devem ser seguidas se quiser construir. Por isso é fundamental que sejam de conhecimento público, bem como o processo (ritual) legal ser seguido.

Os 3 parâmetros mencionados são:

Zoneamento – Separa e determina como cada “parte” (zona) da cidade pode ser aproveitada de acordo com as características pretendidas naquela região. O objetivo é controlar adensamento, salubridade, segurança, impacto na vizinhança, dentre outros aspectos, a partir do uso de cada zona. Elas vão separar a parte residencial, da comercial e da industrial de uma cidade, permitindo a interação ou mistura (usos mistos) dessas áreas de forma controlada e de acordo com aspectos de cada atividade (uso). Industrias poluentes serão afastadas de áreas (zonas) residenciais, industrias não poluentes poderão ficar mais próximas das demais zonas dependendo de porte e atividade, atividades comerciais serão permitidas de forma diferente em cada zona, dependendo da proximidade dos centros comerciais e do porte de atendimento em função da atividade (local ou não, por exemplo). O Zoneamento organiza a cidade para que cada atividade possa funcionar de forma harmônica nela, seja produzir ou simplesmente morar. Cada zona terá usos e índices construtivos diferentes.

Uso – Os usos classificam o tipo de construção que cada terreno pode ter. É dividido em Residencial, Comercial, industrial ou Misto (geralmente residencial e comercial). Quando se adquire um terreno, não se pode construir o que quiser nele. De acordo com o zoneamento, os usos permitidos são descritos na lei. Casa, bar, cervejaria artesanal, prédio residencial, prédio comercial, padaria, etc. Tudo depende do que a lei permite. Alguns bairros são predominantemente residenciais e permitem comércio local (apenas padarias, serviços primários e supermercado, por exemplo) porque estão em uma zona com essa característica. Zonas industriais novas, principalmente que permitem grande porte ou poluente, não permitirão uso residencial ou comercial nelas por questões de salubridade. O uso, em função do zoneamento, determina “o que” pode ser construído num terreno.

Índices construtivos – Os índices construtivos são números que definem as regras de aproveitamento de um terreno: o quanto pode ser construído, o limite de área, a reserva verde/permeável que deve ser respeitada, a relação da construção com a cidade e o vizinho. Ou seja, determinam “como” algo pode ser construído num terreno traduzido em limites.

São eles:

  • CA – coeficiente de aproveitamento: limite de área que pode ser construída num terreno. É o máximo de área que a edificação pode ter contabilizada como área construída.
  • TO – Taxa de ocupação: limite de área que pode ser ocupada no plano do terreno (Primeiro pavimento) como área construída. Mesmo que um terreno tenha CA correspondente a 360m², se a TO for 180m², o máximo que a edificação pode ocupar do terreno são 180m². O restante da área permitida deve ser construída em pavimentos extras, respeitando o limite do primeiro pavimento.
  • TP – Taxa de permeabilidade: define o limite mínimo de área do terreno que deve ser reservado para área permeável, de solo natural, não impermeabilizado.
  • Afastamentos – Determinam distância em relação aos vizinhos e rua. Está ligado a altura máxima da construção e as aberturas dela, também.

Obs: em algumas cidades haverá limites de altura da edificação (para proteger alguma vista, aspecto ambiental, monumento, estilo de vida, etc. – comum em regiões de serra e beira mar) e outras peculiaridades.

É importante saber que todos os índices e usos estão vinculados às demais leis e devem se submeter a elas. Ex: Distância de nascentes e cursos d’água, afastamento de rodovias (área de expansão delas), proteção ambiental, etc.

O não cumprimento dessas normas e a construção sem autorização prévia, tornam a edificação ilegal e pode acarretar em embargos e multas de valor bastante significativo, para não dizer muito altas. Hoje em dia a fiscalização está em processo de ampliação, agregando inclusive uso de tecnologia de satélite e drones. Nos próximos anos será muito mais intensa.

O responsável técnico entende e domina este assunto, além de ser obrigatório no processo. Contudo é importante entender a partir destas informações que há um processo e normas a serem seguidas. A propriedade de um terreno não dá direito a fazer o que quiser nele, nem construir como quiser. Regras devem ser seguidas visando legalidade, mais organização, salubridade e responsabilidade, gerando benefícios a todos.

Nos próximos textos da série, informações complementares sobre “como” um terreno pode ser aproveitado, as etapas legais (passo a passo para construir) explicando “quando” algo pode ser construído.

Gostou das informações? Curta a publicação para incentivar a produção de conteúdo e clique em cadastrar no final dela para receber notificações sobre novas postagens.

Leitura Bônus opcional: porque as leis de ocupação do solo existem e são necessárias?

Ao longo da história, os fatos e desenvolvimento da ciência nos ensinaram muito sobre nossas práticas de vida, refletidas em nossa forma de ocupar o mundo e viver.

Tudo que pensamos e descobrimos se reflete em nossa forma de adaptar o espaço para nos abrigar e vivermos (construir). Doenças, guerras, incêndios e tragédias, segurança, filosofia, conhecimentos sobre biologia, geografia, matemática, física, química, teologia, sociologia e uma infinidade de outras coisas nos ensinaram como viver melhor uns com os outros e com as variáveis do mundo.

Nossa forma de ocupar as cidades hoje busca mais salubridade, segurança, responsabilidade ambiental e social do que nunca. Tudo que passamos e aprendemos resultou em normas que evitam/minimizam os problemas do passado e promovem um presente melhor, pautado em embasamento técnico.

Incêndios como os de Chicago nos ensinaram sobre aglomeração, materiais e afastamento entre as casas; doenças respiratórias e epidemias diversas nos ensinaram sobre distanciamento de fábricas, aberturas de ventilação, ventilação entre as casas, afastamento entre elas, setorização de cômodos, arborização, etc; esgotos a céu aberto nos ensinaram sobre salubridade e controle de pragas e doenças; guerras nos ensinaram sobre reconstrução e prioridades; a própria mudança da nossa relação com o tempo nos ensinou sobre prioridades; biologia nos ensinou sobre várias normas sanitárias; enchentes, neve e chuvas sobre telhados, permeabilidade e escoamento; matemática, física e química possibilitaram a criação da engenharia civil, e por aí vai, passando por conceitos sociais, ambientais, técnicos e filosóficos.

Todos os fatos e momentos ao longo da história são a razão das normas construtivas, que existem para organizar e proporcionar uma vida melhor e mais equilibrada a todos.

Gostou das informações? Curta a publicação para incentivar a produção de conteúdo e clique em cadastrar para receber notificações sobre novas postagens.

Processando…
Sucesso! Você está na lista.

Educação Construtiva #1, introdução.

Esta nova série, “Educação Construtiva”, irá apresentar textos com o intuito de divulgar informações fundamentais que deveriam ser conhecidas por todos principalmente antes de construir, mas sem deixar de apresentar também informações sobre como proceder depois de construir.

No Brasil, assim como não existe uma ampla divulgação de educação financeira, também não existe uma ampla divulgação de educação Construtiva e Urbanística, relacionada à Construção Civil, cidade e mercado imobiliário, mesmo envolvendo legislação, direitos e deveres. Vale ressaltar que não saber as leis relacionadas a construções e ocupação do solo, não isenta qualquer cidadão de as cumprir.

Serão informados nesta série aspectos que devem ser conhecidos sobre um terreno ou imóvel referentes a construir ou reformar e quais são os profissionais mais indicados para cada serviço relacionado a uma obra. Resumidamente, é fundamental partir do pressuposto que não se pode construir o que quer, da forma quer, nem quando se quer numa cidade. Existem normas e padrões construtivos que devem ser seguidos.

Existem dois documentos base que definem “o quê, como e quando” algo pode ser construído numa cidade, obviamente sob os aspectos de quaisquer outras leis vigentes. São eles: a Lei de Uso e Ocupação do Solo e o Código de Obras.

Observação: o nome específico de cada lei varia de cidade para cidade, apresentando seu número, ano e disposições. Ex: Lei complementar 209/2017 – Dispões sobre normas de Uso e Ocupação do solo na cidade de Sete Lagoas, ou Lei ordinária 9800/2000 – dispõe sobre Zoneamento, Uso e Ocupação do Solo na Cidade de Curitiba.

Estes documentos determinam e informam, dentre outras coisas:

  • Como um terreno pode ser aproveitado e seu limite de ocupação;
  • Qual o limite de área a ser construída e sob quais condições;
  • Qual a reserva verde e permeável do terreno;
  • Qual a relação das construções com os vizinhos, a distância, aberturas, divisas;
  • Quais os tipos de construções podem ser construídas neste terreno;
  • Qual o uso é permitido para futuras construções em cada região da cidade (residencial, comercial, industrial, institucional, etc.) e seu porte;
  • Quais as condições internas de cada tipo de construção, o tamanho mínimo dos ambientes, das aberturas para ventilação e iluminação, exigências de acessibilidade, etc.

Como cidadão e não profissional da área você precisa ler e entender cada parágrafo da lei de uso e ocupação ou do código de obras? Não necessariamente. É essencial sim que saiba que esses documentos existem, sobre o que falam, que regras devem ser seguidas para construir um imóvel e que obrigatoriamente um profissional deve executar o serviço de planejamento das edificações urbanas para que qualquer uma delas seja uma construção legal.

Toda construção na cidade deve ser informada aos órgãos reguladores através de um planejamento técnico (um projeto) antes de executada, aprovada (respeitando um processo legal) e sua construção deve ser previamente autorizada e documentada (através de um alvará de construção). Se trata de um trabalho técnico que envolve responsabilidades legais, ambientais e cívicas. Envolve segurança, salubridade, sustentabilidade, responsabilidade social, etc. Então toda construção deve ser previamente planejada por um profissional qualificado, aprovada pelos órgãos reguladores de cada cidade e autorizada por estes órgãos. Todo o processo é legal e documentado.

O simples fato de vender um imóvel que não seguiu o processo legal se torna bem mais difícil, inviabilizando financiamentos e implicando em processos de regularização e multas.

Terreno vazio antes de uma construção com alvará de construção começar. Foto: Arquivo pessoal.

Está série será composta por textos mais curtos que irão informar o conhecimento mínimo necessário para entender o quê, como e quando pode se construir. A intenção base é compartilhar conhecimento e explicar que não se pode construir o que quer, como quer ou quando quer. Além de compartilhar quais profissionais deve procurar para suprir suas demandas.

Gostou do post? Agregou valor? Quer pedir ou sugerir conteúdo? Deixe suas considerações, dúvidas e compartilhe com quem tem interesse pelo assunto também!

Aproveite para seguir o blog, cadastrar seu email na lista e ser avisado sobre novas postagens. Basta clicar em follow e inserir seu email!

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

Referências:

  • Foto 1: Daniel McCullough no Unsplash
  • Foto 2: Arquivo pessoal

Etapas da obra #23 – Telhado e acabamento

Este post sobre as etapas da obra inicia a fase final da construção. Até então, a estrutura, a vedação e as instalações da casa foram executadas, bem como revestidas no primeiro estágio, o de reboco.

É possível identificar que a construção da base da edificação em si já foi concluída: a estrutura, a vedação e as tubulações das instalações hidrossanitárias e elétricas já estão prontas. Considerando a função abrigo, esta edificação, mesmo neste estágio, já pode atender a este requisito, ainda que de forma bastante ineficiente e insalubre.

O reboco, único revestimento executado até o momento, apesar de proteger os tijolos e a estrutura, bem como uniformizar as paredes, tem aspecto poroso, arenoso e suas partículas se soltam ao toque. Além disso, o concreto utilizado para execução do reboco, absorve água, acarretando em quadros de alta umidade. Essa condição não é ideal para habitação, mesmo que não iniba sua possibilidade na condição mais básica deste conceito.

Conforme foi explicado no texto “Etapas da obra #21 – Revestimentos: Reboco“, os revestimentos tem como função base compor e proteger algum elemento construtivo, seja estrutural ou de vedação, elevando seu desempenho e durabilidade. De forma complementar, agregam salubridade, funcionalidade e estética.

Os chamados “acabamentos” no meio da construção civil, nada mais são do que revestimentos destinados a usos específicos que potencializam o desempenho da construção. As pinturas, por exemplo, impermeabilizam o revestimento das paredes e as uniformiza quanto a seu aspecto físico, tornando as lisas, sem acumular partículas (sujeira) ou umidade, que podem levar à proliferação de microrganismos. Em áreas com maior umidade, uso intenso de água ou com acúmulo desta, a pintura não é o suficiente, por isso utilizamos revestimentos cerâmicos ou pedras para impermeabilizar essas áreas, como áreas de banho (chuveiro), tanque, pias, etc.

Após o reboco, a primeira etapa do processo de acabamento onde há a previsão de pintura, consiste em lixar e posteriormente selar. E assim foi feito na obra de estudo.

O intuito de selar a superfície é a impermeabilizar, criar uma camada entre a parede e o acabamento, protegendo a tinta a ser aplicada contra umidade e aumentando o rendimento da mesma, diminuindo também a absorção dela pela superfície. O selador é utilizado diretamente no reboco, concreto, massa fina ou blocos de concreto. Acarreta em economia de material e maior rendimento da tinta ou outro produto que seja utilizado depois dele (como a massa corrida, que pode ser aplicada antes da tinta, por exemplo).

No revestimento externo da edificação, é comum utilizar apenas selador e tinta sobre a parede rebocada (ao ponto ponto de massa fina), diferente do revestimento das paredes internas, que recebem selador, massa corrida, outro selador e tinta.

Dica: para aprofundar no assunto e saber todas as etapas da pintura, consulte o textoSaiba os passos da pintura para obter melhores resultados“.

WP_20160215_002
Paredes lixadas e revestidas com camada de selador acrílico.

Juntamente com o início do processo de revestimento das paredes, foi elaborado o serviço de execução da cobertura da edificação.

Apesar de não ser um revestimento e sim um elemento construtivo, a função do telhado é parecida com a de um revestimento: protege a edificação dos intempéries.

O tipo de telhado escolhido para a edificação foi o de estrutura e telhas metálicas. Esta escolha foi dada na etapa de projeto, considerando custo benefício, linguagem arquitetônica da casa e eficiência dentro do contexto construtivo.

Telhados metálicos são de rápida instalação, utilizam inclinação baixa (5 a 15%, o que os torna fáceis de esconder em platibandas), não são pesados (exigindo pouco da estrutura e acarretando em estruturas mais leves / baratas), tem ótima durabilidade e impermeabilidade, devido ao material, dentre outros aspectos.

WP_20160215_005
Instalação da estrutura metálica do telhado da área de lazer.

Um aspecto negativo da telha metálica utilizada neste tipo de telhado, é que tem alta condutibilidade térmica, consequentemente, transmitem muito calor durante a incidência deste. Outro detalhe é que fazem bastante barulho quando chove.

Este dois aspectos não implicaram em problemas porque foram considerados durante o planejamento e contornados com soluções diretas: na área principal da edificação, o telhado foi instalado sobre uma laje, em estrutura independente e com uma camada de ar entre o telhado e a laje, proporcionando isolamento termoacústico eficiente e suficiente.

WP_20160202_005
Estrutura do telhado sobre a edificação.

Na área de lazer, onde foi executado diretamente sobre o ambiente, sem laje, foi instalada juntamente com a telha, uma manta isolante térmica de alta eficiência, que além de isolar termicamente, ajuda a proteger o forro que foi previsto sob o telhado, de gesso acartonado, que também tem propriedades termo-acústicas porém é vulnerável à umidade (o forro foi instalado posteriormente).

WP_20160217_003
Manta térmica sob telhas do telhado.

O conjunto previsto resultou em ambientes confortáveis sob o telhado, seja nos ambientes internos ou na área de lazer.

Cada tipo de telhado tem suas características, não necessariamente vantagens ou desvantagens. O importante é que a opção por um sistema seja dada considerando o contexto da edificação, devidamente planejada para alcançar a melhor eficiência, respeitando as características do local de implantação bem como os objetivos esperados.

WP_20160202_002
Estrutura metálica do telhado


Gostou do post? Agregou valor? Deixe suas considerações ou dúvidas e compartilhe com quem tem interesse pelo assunto também!

Aproveite para seguir o blog, cadastrar seu email na lista e ser avisado sobre novas postagens. Basta clicar em follow e inserir seu email!

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

Etapas da obra #22 – Tubulações elétricas e complementares.

Quando as paredes já foram elevadas e estão prontas para o processo de revestimento, dependendo do tipo de vedação escolhida, as mangueiras, caixas de passagem, de interruptores e demais tubulações das instalações elétricas e hidráulicas são executadas.

Foi dito dependendo do tipo de vedação escolhida porque em algumas opções de tijolos, ou mesmo nos casos de steelframe ou woodframe, as instalações complementares (elétrica e hidráulica) tem suas tubulações e caixas passadas ou fixadas nos espaços internos que as opções mencionadas oferecem.

Tijolos como os blocos de concreto, tem espaços internos não apenas suficientes mas também destinados à passagem das instalações complementares, da mesma forma, no interior das paredes de drywall existe espaço entre os montantes para instalação das tubulações elétricas e hidráulicas. Essas opções dinamizam o trabalho e racionalizam o processo, gerando menos desperdício e menos tempo de mão de obra. Por outro lado, tem um custo material um pouco mais elevado.

Nas paredes de tijolos furados de barro cozido, tijolo mais tradicional utilizado no Brasil, depois de elevadas, as paredes precisam ter seus tijolos perfurados nos trechos onde as mangueiras e tubulações irão passar. Ação que acaba se justificando pelo baixo custo do material. Contudo é um processo menos racional e gera maior desperdício de material.

WP_20151211_008 ct
Corte para instalação de mangueiras elétricas e sua ligação com as passadas através dos elementos estruturais.

Esse processo ocorre logo que as paredes foram elevadas na maioria dos casos (antes de serem revestidas) mas pode acabar sendo executado logo depois da primeira fase do reboco e finalizado com a etapa final do revestimento do reboco da parede.

O processo em si é bem objetivo e simples: são executados cortes nas paredes, como canaletas, onde as mangueiras ou tubulações, bem como as caixas de passagem serão instaladas. Com as mangueiras e tubulações fixadas nessas canaletas “esculpidas” no tijolo, o trecho é concretado.

WP_20151230_005 ed
Caixas elétricas concretadas na parede.

As mangueiras que haviam sido passadas através das lajes, vigas e demais elementos estruturais, são ligadas com as que são instaladas no elemento de vedação.

WP_20160121_004 ct
Corte para passagem de mangueira elétrica e instalação de quadro de energia.

Quando as paredes estão elevadas, muita coisa começa a ocorrer ao mesmo tempo na obra e equipes distintas começam a trabalhar ao mesmo tempo no canteiro. No caso da obra em estudo, a equipe de pedreiros estava trabalhando junto da equipe elétrica e do serralheiro que executou o telhado (assunto que será tratado em outro post).

Para serem iniciados os trabalhos dependem da conclusão de etapas, mas dada esta conclusão, equipes podem trabalhar simultaneamente e deixar o processo mais dinâmico e racional, ganhando tempo e economizando gastos com mão de obra.

O mesmo processo de instalação de mangueiras e tubulações nas paredes, pode acabar sendo complementado no piso caso não tenha sido completamente executado anteriormente. Nas lajes todas as mangueiras e tubulações são passadas, mas no piso térreo as vezes não, uma vez que o contrapiso pode ser cortado para ajustes, diferente da laje.

WP_20160121_002
Corte no piso para passagem de mangueira elétrica.

Nas paredes, os canos de descida de água pluvial que não foram previstos internamente nas paredes, podem ser cobridos e escondidos. No caso em questão, foram executados falsos shafts nos banheiros (falsos porque se tratou apenas de uma parede paralela a já existente cobrindo os canos de água) e nos quartos o revestimento das tubulações deu a impressão de elemento estrutural. A tubulação hidrossanitária principal foi executada anteriormente, como pode ser conferido no texto etapas da obra #19.

WP_20160122_002 antes depois
Antes de depois de instalação de falso shaft no banheiro para esconder canos externos.

O revestimento foi executado de forma que o cano revestido continuasse representando uma parte funcional da parede, quer dizer, com possibilidade de fixação de pregos ou buchas, por isso ao invés de apenas revestir diretamente, foram utilizados tijolos para cobrir as tubulações.

WP_20160205_008 ct
Revestimento de cano de descida de água pluvial.


Gostou do post? Agregou valor? Deixe suas considerações ou dúvidas e compartilhe com quem tem interesse pelo assunto também!

Aproveite para seguir o blog e cadastrar seu email na lista vip. Basta clicar em follow e inserir seu email!

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.

Etapas da obra #21 – Revestimentos: Reboco

Ao longo dos séculos, técnicas foram desenvolvidas para melhorar a qualidade e durabilidade das construções. Os sistemas construtivos foram estudados, formalizados no que diz respeito a elaboração de métodos técnicos pautados em conceitos científicos (vindos da física, química, matemática, biologia, etc.) e enfim, foram adaptados às demandas contemporâneas à cada momento histórico.

A forma que construímos hoje tem um conceito fundamental parecido com o de 20 ou 30 anos atrás, até mesmo com o de séculos atrás. Contudo, a tecnologia empregada em função de cada nova descoberta ou melhoramento dos materiais e técnicas, modifica sensivelmente esta forma de construir uma vez que passamos a ter um entendimento mais aprofundado do processo dado seu objetivo.

O revestimento tem como função base compor e proteger o elemento estrutural ou o elemento de vedação e elevar seu desempenho. Ou seja, tem como função compor e proteger algum elemento construtivo, elevando seu desempenho. Sua função complementar se pauta em salubridade, praticidade, acabamento, estética ou qualquer outra que possa agregar valor à principal. Dado este entendimento, este objetivo, passa a ser necessário o relacionar com sua aplicação: proteger do quê? Qual o tipo de exposição a construção tem? Em termos de desempenho, é necessário relacionar a uma demanda: qual sua finalidade?

No caso residencial, a construção desenvolvida até o ponto apresentado no estudo de caso desta série de etapas da obra, já cumpre fundamentalmente a função de abrigo. Por outro lado, não é um abrigo eficiente para habitação nem mesmo resistente o suficiente ao tempo, considerando seu sistema construtivo e até onde foi desenvolvido: as paredes e pisos são porosos, com partículas que se soltam facilmente, sem uniformidade, absorvem muita água do solo e do ar (em tempo úmido, chuvoso ficarão úmidas demais), é uma construção vulnerável aos intempéries e proliferação de microrganismos do ambiente em longo prazo… Em resumo, tem um desempenho insatisfatório dado seu uso e o padrão de exigência.

Um outro exemplo simplificado, é uma construção de madeira. Ela por si, já é bem eficiente quando finalizada sem qualquer revestimento extra, contudo, a umidade, pragas e microrganismos deterioram o material mais facilmente se o mesmo não estiver protegido. Algo que pode ser retardado com a proteção vinda de impermeabilizantes (verniz e tinta, por exemplo), anti pragas ou anti microrganismos.

Existem várias opções para revestir um material e o proteger, basicamente consistem em colocar outro tipo de material sobre ele, mais resistente aos intempéries, à umidade, pragas, microrganismos ou qualquer outra necessidade vinda de alguma deficiência que justifique a proteção, seja através de uma tinta, um verniz, uma placa de outro material ou qualquer outro exemplo.

No caso da alvenaria e do concreto armado, utilizados na obra de referência, o mais usual aqui no Brasil é revestir os tijolos, vigas e pilares com argamassa de cimento e areia (uniformizando a superfície e melhorando sua permeabilidade) para então impermeabilizar de fato esta superfície, utilizando o material mais propício para cada situação, como uma tinta ou uma cerâmica específica, por exemplo.

O revestimento de argamassa é conhecido como reboco. Este revestimento é uma camada de aproximadamente 1,5cm que altera as propriedades acústicas, de permeabilidade e térmicas da parede além de a uniformizar, influenciando em seu desempenho (as condições técnicas de exigência e execução são definidas pela NBR 13749).

Como o foco deste texto está nas etapas, apenas este assunto será apresentado. Elas podem ser divididas em até 3: chapisco, emboço (alguns locais tratam apenas como reboco) e massa fina. Esta divisão pode variar de região para região com alguma nomenclatura ou peculiaridade executiva, como a terceira (massa fina), não existir ou fazer parte do acabamento do emboço. Tecnicamente, deve ser observado um plano de revestimento, bem como especificações estabelecidas pelas normas técnicas NBR 13749, 13529 e 7200.

As etapas são denominadas da seguinte forma:

Chapisco: é uma fina camada de apenas alguns milímetros, aplicada de forma grosseira sobre a alvenaria, composta de argamassa de cimento e areia, com traço popularmente dito “forte” (1:3, por exemplo) e plástico, com o fim de gerar uma superfície rugosa que aumenta a aderência da parede para recebimento da argamassa do reboco. Deve ser aplicada e secar (curar) antes do início da próxima etapa.

Na obra de estudo, após a elevação da alvenaria das paredes e demais procedimentos descritos até então, as paredes foram rebocadas, conforme imagem abaixo. Repare que a camada é tão fina que não cobre perfeitamente as juntas entre os tijolos.

WP_20151002_005
Chapisco sobre parede de alvenaria de tijolos de barro cozido.

Obs: Com o desenvolvimento de argamassas de alta aderência e dependendo do material da parede, esta etapa pode ser pulada por deixar de ser efetivamente necessária.

Emboço: é o revestimento principal, feito de argamassa de cimento e areia, que pode ou não conter aditivos, tratando-se de uma camada de aproximadamente 1cm que protege a alvenaria e eleva o desempenho do conjunto. É um revestimento nivelado, alinhado e uniforme. Para alcançar este resultado, são utilizados linha, prumo e nível para aplicação de referências (chamadas taliscas), inseridas usualmente de 1,5m em 1,5m com a função de apontar a espessura final da camada a ser aplicada para se obter o alinhamento e nivelamento desejado.

As taliscas são peças inseridas sobre a parede que servem como referências de espessura a ser alcançada pela argamassa. Depois da aplicação da argamassa, com o auxílio de uma régua de alumínio ou sarrafo de madeira (não usual mais hoje em dia), a parede tem sua superfície alinhada (a aplicação inicial da argamassa não é uniforme e resulta em pequenos montes da mesma, o processo de alinhar com a régua é conhecido como sarrafear) e posteriormente uniformizada a partir da utilização de desempenadeira. As taliscas são retiradas e o espaço que preenchiam é corrigido com a aplicação de argamassa.

Durante a execução do reboco, para melhorar a trabalhabilidade, plasticidade, aderência e outras características da argamassa, podem ser aplicados complementos e aditivos que alteram sua plasticidade, aderência e uniformidade, como agrofilito, cal ou algum outro aditivo específico.

O resultado do reboco é uma parede uniforme, que apresenta textura característica dos materiais empregados, sendo levemente arenosa ao toque.

WP_20151211_004
Parede apresentada anteriormente chapiscada, agora rebocada.

Massa fina é uma fina camada de argamassa, geralmente de cimento, cal e areia, com traços com bem mais areia que cimento, como 1:1:6, por exemplo. Tem a função de melhorar a uniformidade do reboco, seu acabamento. É executada com desempenadeira e esponja (molhada) utilizada em obra. Combinação que possibilita que o acabamento fique mais homogêneo e uniforme.

WP_20151028_020 e 1016_01
Parede chapiscada à esquerda e rebocada à direita (emboço e massa fina)

Em alguns casos, a técnica aplicada na massa fina é utilizada diretamente na fase do reboco, molhando a superfície e a esfregando com esponja. Contudo, a etapa de massa fina, isoladamente, gera um resultado com um aspecto um pouco mais “liso”, devido a diferença de traço.

A homogeneidade da superfície influencia no gasto do outros materiais que serão utilizados posteriormente, como a massa corrida durante o processo da pintura. Por outro lado, também leva um tempo considerável a mais para ser alcançada. Algo que deve ser ponderado no processo de planejamento do revestimento.

Durante esta etapa, o telhado e sua estrutura foram iniciados, assunto a ser tratado no próximo texto.


Referências:

NBR 7200:1998. Execução de revestimento de paredes e tetos de argamassas inorgânicas – Procedimento
NBR 13529:2013. Revestimento de paredes e tetos de argamassas inorgânicas – Terminologia
NBR 13749:2013. Revestimento de paredes e tetos de argamassas inorgânicas – Especificação


Gostou do post? Agregou valor? Deixe suas considerações ou dúvidas e compartilhe com quem tem interesse pelo assunto também!

Aproveite para seguir o blog e cadastrar seu email na lista vip. Basta clicar em follow e inserir seu email!

Digite seu endereço de e-mail para assinar este blog e receber notificações de novas publicações por e-mail.